
Um breve comentário sobre João Guimarães Rosa, um dos mais importantes escritores brasileiros. Poliglota tinha fascínio por estudo de línguas estrangeiras.
“E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas
ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional.
Principalmente,porém, estudando-se por divertimento,
gosto e distração.”
gosto e distração.”
João Guimarães Rosa
Principais características nas obras de Rosa, Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções lingüísticas e neologismos são algumas das características fundamentais de sua literatura.
“Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens.”
João Guimarães Rosa
Durante o terceiro tempo do Modernismo brasileiro, em 1962 foi publicado o livro de Guimarães Rosa Primeiras Estórias, em que narram, nas 21 Estórias temas que abordem, simbolicamente, existência humana. As histórias seguem a linha dos contos tradicionais.
Analisando rapidamente a obra de Rosa, à primeira vista, durante uma primeira leitura da obra, encontra uma certa dificuldade, na linguagem que soa erudita e inteligível. Mas essa avaliação precipitada, se desfaz a partir da segunda leitura em que o leito observa na realidade qual a intenção de Guimarães Rosa. Em que o autor busca através dos contos recupera na escrita a fala do sertão Mineiro, por meio dos personagens.
Analise da Obra, A Terceira Margem do Rio.
RESUMO DA OBRA
A terceira margem do rio conta a história de um homem que evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio, lugar em que, dentro de uma canoa, rema “rio abaixo, rio a fora, rio a dentro”.
Por contradizer os padrões normais de comportamento, ele é tido como um desequilibrado.
O narrador-personagem é seu filho e relata todas as tentativa da família, parentes, vizinhos e conhecidos de estabelecer algum tipo de comunicação com o solitário remador. Contudo o pai recusa qualquer contato.
A família, inicialmente aturdida com a atitude inusitada do pai, vai-se acostumando com seu abandono. Com o tempo, mudam-se da fazenda onde residiam; a irmã casa-se e vai embora, levando a mãe; o irmão também muda-se para outra cidade. Somente o narrador permanece.
Sua vida torna-se reclusa e sem sentido, a não ser pelo desejo obstinado de entender os motivos da ausência do pai: “Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio-pondo perpétuo.”
Um dia, dirige-se ao rio, grita pelo pai e propõe tomar o seu lugar na canoa. Mediante a concordância dele, o filho foge, apavorado, desistindo da idéia: “E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão. (...) Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado.”
O narrador-personagem nos dá a conhecer um ser humano cujos ideais de vida divergem dos padrões aceitos como normais. Trata-se do pai do narrador, o qual com sua atitude obstinada, ao mesmo tempo, afronta e perturba seus familiares e conhecidos, que se vêem obrigados a questionar as razões de seu isolamento e alienação.
O único a persistir na busca de entendimento da opção do pai é o narrador, que não descuida dele e chega a desejar substituí-lo. A escolha do isolamento no rio instiga permanentemente o filho. Este é levado a questionar o próprio existir humano.
A obra de Rosa, A terceira Margem do Rio, seu conto mais famoso e o mais aberto conto do autor. No conto existe a intertextualidade bíblica com Noé. Um conto com seu tempo cronológico extenso, que relata toda a vida do narrador/personagem, conforme o amadurecimento do narrador/personagem são estimulados dando enfoque ao tempo psicológico.
Guimarães nos apresenta no conto sua maior característica à paisagem rural em seu espaço no conto, tendo a presença concreta do rio. O espaço relatado por Guimarães Rosa é envolvido por magia e transcendentalismo durante a leitura do leitor, no ir e vir do rio da vida. Rosa sempre teve em destaque em sua imaginação o rio.
[…] amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: a eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar a eternidade.
Guimarães Rosa
Os personagens de Guimarães Rosa, apresentam uma característica com tipos sociais, esses personagens não possuem nome. Os personagens principais o pai sempre quieto, isolado, o filho e narrador rejeitado na infância para ser companheiro do pai. Já adulto, busca a oportunidade de realizar o desejo de criança. Mas quando o consegue acredita não estar preparado para ir rumo ao desconhecido.
Segundo Marli Leite, da Universidade de São Paulo / CNPq, em seu artigo “Muitas vozes em uma só: A Terceira Margem do Rio*”
“Tratar da literatura de João Guimarães Rosa dentro das
premissas acima estabelecidas é possível porque esse é um
autor que busca a originalidade, a estilização, e para isso “trabalha”
pelo discurso,os recursos da língua. O objetivo de Guimarães construir
literatura em linguagem que, o mais possível,seja identificada
com o sertão e com o Brasil. Não é a fala contemporânea da
cidade que interessa ao autor,é a fala rural, ilimitada.”
Marli Leite.
literatura em linguagem que, o mais possível,seja identificada
com o sertão e com o Brasil. Não é a fala contemporânea da
cidade que interessa ao autor,é a fala rural, ilimitada.”
Marli Leite.
Referências:
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/guimaraesrosa/index.htm
http://www.vidaslusofonas.pt/joao_guimaraes_rosa.htm
http://www.vidaslusofonas.pt/joao_guimaraes_rosa.htm
http://pt.shvoong.com/books/185737-terceira-margem-rio-análise-sob/
acessos: nos dias 20, 22 e 23/05/2010
LEITE, Marli. Muitas vozes em uma só: A terceira margem do rio. Universidade de São Paulo/ CNPq.
http://www.ufpe.br/pgletras/Investigacoes/Volumes/Vol.21.2/Marli_Leite.pdf
Consulta 22/05/2010
ROSA, João Guimarães. 1994. A terceira margem do rio. In: —
Primeiras estórias. Ficção completa, volume II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.
Consulta em 28/04/2010